A resposta curta: se o destinatário não levantar a carta registada, ela volta para trás — mas não levantar não é o mesmo que não ter sido notificado. Na maior parte dos casos, a lei protege quem enviou, e a carta devolvida transforma-se em prova. Este artigo explica o circuito da carta não levantada, o que diz a lei e os passos exatos a dar quando o envelope volta.

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O circuito: o que os CTT fazem quando ninguém recebe

Quando o carteiro não consegue entregar uma carta registada em mão, deixa um aviso de tentativa de entrega na caixa do correio. A carta fica disponível para levantamento numa loja ou ponto CTT durante o prazo indicado nesse aviso. Se ninguém a levantar dentro do prazo, os CTT devolvem-na ao remetente com uma menção do motivo: "não reclamada", "recusada", "mudou-se", "endereço insuficiente" ou "desconhecido".

Essa menção importa. "Não reclamada" e "recusada" contam a história de alguém que podia ter recebido e não quis — e é aí que a lei entra.

O que diz a lei: a culpa do destinatário joga contra ele

O artigo 224.º do Código Civil estabelece que uma declaração é eficaz quando chega ao poder do destinatário ou é dele conhecida — e acrescenta, no n.º 2, que é também eficaz a declaração que só por culpa do destinatário não foi oportunamente recebida. Quem se recusa a levantar uma carta registada, sabendo que ela existe, não pode depois alegar que nunca foi notificado.

Guarda o envelope fechado Se a carta voltar, não a abras. O envelope devolvido, com os carimbos e menções dos CTT intactos, é a tua prova de que enviaste, de quando enviaste, e de porque não foi entregue. Abre-o apenas se um tribunal o pedir.

No arrendamento, há um regime especial: a segunda carta

Para as comunicações entre senhorio e inquilino (atualização de renda, resolução do contrato, oposição à renovação), o artigo 10.º do NRAU prevê um mecanismo próprio para cartas devolvidas: o remetente envia uma segunda carta registada com AR entre 30 e 60 dias após a devolução da primeira. Feito isto, a comunicação considera-se realizada — mesmo que a segunda carta também venha devolvida.

  1. 1.ª carta registada com AR → devolvida ("não reclamada", "recusada", etc.)
  2. Esperar que passem 30 dias sobre a devolução (e não mais de 60)
  3. 2.ª carta registada com AR com o mesmo conteúdo
  4. A comunicação produz efeitos, levante o inquilino as cartas ou não

É por isto que desistir à primeira devolução é o erro mais comum — e mais caro — dos senhorios. O processo só fica blindado com a segunda carta no prazo certo.

E se a morada estiver errada?

As menções "mudou-se", "endereço insuficiente" ou "desconhecido" são diferentes: aqui não há culpa do destinatário em não levantar, e a proteção do artigo 224.º pode não operar. Confirma a morada antes de reenviar — no arrendamento, vale a morada do locado ou a que o inquilino tiver comunicado por escrito.

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